quinta-feira, dezembro 01, 2016

Sobre o livro "Bíblia Sagrada - Sonetos", de Aurora Tondela



« A Bíblia transcrita em paráfrases poéticas é, de per se, uma tarefa que além da inspiração para o trabalho poético, requer uma leitura sistemática, prolongada e atenta das Sagradas Escrituras. Em sonetos, então ainda mais se acentua o grau de dificuldade da empresa. 
O que a poeta portuguesa Aurora Tondela levou a cabo é um paradigma único de como a linguagem bíblica, na sua grande intensidade, é poética. Podemos dispensar, embora seja sempre bom em termos de crítica literária ter presente, os  Harold Bloom e George Steiner, que se debruçaram sobre os autores fundacionais de alguns livros da Bíblia Sagrada e da sua linguagem comunicacional divinamente inspirada, isto é, os autores e o seu texto bíblicos.
Trabalhos literários soberanamente criativos, porque inspirados nas Sagradas Escrituras, designadamente nos livros poéticos, tem apelado e sido um doce apetite para poetas de todas as  linguagens.
Por exemplo, no início da década de 70, lá longe no tempo e no espaço, o poeta evangélico brasileiro, o clássico Jonathas Braga, escreveu todo um “Milagre do Amor” em verso, baseado no livro bíblico de Rute.
Hoje, já em meados da segunda década do século XXI, a poeta cristã Aurora Tondela empreendeu e continua o seu labor quase de Hércules com estes sonetos, belíssimos, clássicos, de belo recorte petrarquiano, sáfico, camoniano, o que quisermos. A Bíblia em Sonetos é, antes de mais e em duas palavras, um Itinerário Espiritual de longo alcance.

João Tomaz Parreira
Poeta Cristão Evangélico



A criação do Céu e da Terra

No princípio era o caos, profundo abismo,
trevas e solidão que se diria
buraco negro de um medonho sismo
de uma terra desértica e vazia.

Sobre esse inexpressivo irrealismo,
sobre essa imensidão de letargia,
as águas sem marés e sem lirismo
não tinham mais que sombras de agonia.

E Deus criou assim a terra e os céus;
sobre eles em surdina se movia
como vento envolvido em estranhos véus.

Em paleta de cor e de harmonia,
com doce voz solene disse Deus:
Faça-se luz! E foi primeiro dia.

Aurora Tondela

Mais sobre o trabalho de Aurora Tondela no blog da autora, Fogo de Santelmo.

sexta-feira, novembro 25, 2016

Três poemas de Yasmin Araújo


Pena de vida


Irmão,

Ontem te vi na televisão
Estavas com os jornais velhos e os trapos do colchão
E com o papel velho que te faz ser considerado cidadão.

Irmão, o cassetete é para as costas do infiel
Mas tu, desde o principio, estavas no céu
E cuspiram em tua face te chamando de réu.

Homem,
Quem é este que ri de tua aflição ?,
"Feres a mim quando feres meu irmão"
"Quando te vimos nu e faminto, Senhor?"
"Quando recuastes, retendo vossas mãos"

Irmão,
A alma que há em ti não é de um deus falecido
Caíram hoje as tochas de teus inimigos,
As tendas jamais chamuscadas serão
Hoje tens ruas de ouro para chamardes de abrigo

Lá em Sião,
Podes descansar em paz

Dedico aos meus irmãos de rua
Sim... irmãos!


CLIX

Vida na cidade

Alamedas estreitas,
Até sufocarem alguém
Que nasceu sem chão e céu
Porque o asfalto não é mundo de ninguém

Avenidas turbulentas,
Com buzinas violentas
É preciso espairecer em um novo dia
Ou herdar outra vida

Somente, só mente
Nem tente provar
Que uma pureza ausente
Compensa meu ar

Nasceste de novo?
Substitua seu lugar,
Uma árvore caída
É um pulmão falido
De quem pensa respirar


CLX

Céu violeta

Colori meu céu de violeta,
Fantasia infantil obsoleta
Uma jovem que não esquece
Um adulto que não envelhece

Admire suas nuvens de algodão doce
Volte para as ruas em que você correu,
Adulto criativo
Criança que não morreu

Olhe nos olhos meus,
Cores da tua aquarela,
Do giz de cera despedaçado
Na aquarela ou no traço

Como se conserva, e não escapa
Permanecia aqui mesmo quando não estava
A imaginação, um olhar atento
Do que está ali e não capto no momento

Não tenha medo, não é errado sonhar
Se seu pés estão firmes no monte
Deixe o balão da sua mente voar
No meu céu violeta

Visite o blog da autora: http://omacrostico.blogspot.com.br/

domingo, novembro 20, 2016

Cordel do Amor de Deus, de Paulo Henrique Feitosa


Cordel do Amor de Deus

O sertão do Nordeste é berço de um povo valente.
Brava gente brasileira, de um torrão de solo quente.
Povo que não se apequena, conquanto sofra a pena,
Que no próprio couro sente.

Mesmo de pele lanhada, vez até, aperreado,
Segue a lida na jornada.
Ainda que castigado, não deixa o nordestino
De sonhar igual menino com futuro acertado.

Coração de sertanejo é igual terra rachada.
Se torrado pela seca, a alma fica pesada.
Mas, é gotejar a água, e a esperança vence a mágoa
Renovando a caminhada!

Se a água que falta pode agir em seu favor,
O que não lhe falta é fé, como não lhe falta senhor.
Fé por poderosos abusada.
Tornando essa gente usada, por pura falta de amor.

Mas, existe e conhecemos uma Água arretada!
Quem bebe dessa fonte não quer beber mais nada!
Essa água é JESUS, fonte de vida e toda luz,
Que de graça nos é dada.

Não se pode esconder essa fonte divina.
Todo crente é convidado: Adulto, jovem, menina.
A viver e a falar, na vida toda mostrar
Essa luz que ilumina!

Nas casas e nas ruas, no escritório ou no roçado,
Essa luz vai se espalhando.
A partir de um bocado de pessoas transformadas,
E que seguem animadas a JESUS em seu chamado.

Quem atende essa ordenança do amor divino espalhar.
Sabe que as palavras andam abraçadas ao lidar.
Diga sim e diga alto, do que mesmo não é falto
Seu próprio exemplo de amar.

Vamos cantar rimado um xaxado de louvor!
Bendito seja JESUS, nosso guia, Salvador!
Que ensina e que manda: Caminha firme, anda!
MULTIPLICANDO O MEU AMOR!

Via Junta de Missões Nacionais

quarta-feira, novembro 02, 2016

Três poemas de Alexandre Dantas


{Morte traiçoeira, quem a suportará?}

Inunda os olhos...

Embota os sentidos...

Angustia o coração...

Desfaz alegrias...

Amargura a alma...

Desvanece semblantes...

Enterra planos...

Sepulta sonhos...

Leva queridos...

Separa os amados...

Entristece o ser...

Destrói a vida...

Estamos perdidos! Seremos levados!! Seremos traídos!!! ...em cada momento, a qualquer hora, não importa o dia, sem benevolência e sem esperança...

Ah, que terrível! Morte que nos trai... Malquista que nos visita... Maldita que nos persegue... Quem a suportará?

Quem? Quem? Quem? ... o forte... o nobre... o fraco... o pobre... o justo... o vil... o sábio... o néscio... todos tombam à sua presença... contra suas vontades são carregados em seus braços fúnebres seguindo seu caminho tenebroso...

Quem a suportará? Quem a vencerá?? Quem a derrotará???

Ele, o Autor da Vida - JESUS CRISTO! ...A própria Vida (Jo 14.6) suportou, venceu, derrotou a Morte, matando-a em Sua própria morte na cruz!

Ele, o Deus Vivo, a Vida de Deus, morreu como homem mortal! Livrou-me da morte infernal! Conduziu-me à vida eternal! Deu-me Prazer sem igual! Agraciou-me com Ele o Amor Real!

“Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?
Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor.” Romanos 7:24-25

“Eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente.
Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a Sua Vida pelas ovelhas.” João 10:10-11

“Cristo morreu uma só vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus” 1 Pedro 3:18

“Tragada foi a morte na vitória.
Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?
Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei.
Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo.” 1 Coríntios 15:54-57



CANÇÃO DO CORDEIRO PASCAL
Da ceia aos céus, da páscoa à presença de Deus

Senhor humilde
Servo sofredor
Salvador grande
Na penúltima ceia de amor
Pés lavados
Pão partido
Vinho partilhado
Um corpo santo será ferido
Um sangue puro será derramado

Era noite de Páscoa
E um jantar entre amigos celebrado
A despedida fraterna ecoa
O inimigo era apontado
Uma canção final
Jardim de lágrimas
“Livra-Me do mal”, assim Ele orava
Em Sua angústia infernal
Suor em sangue derramava
Pois Sua missão mortal
Para Ele se aproximava

Noite escura
Sentimento aterrador
Legião de soldados
Beijo traidor
Prisão sem motivo
Tribunal difamador
Negação do amigo
Injúrias, surras e dor
Ele passava em Sua humilhação
Em um julgamento opressor
Na madrugada de solidão

Já era sexta da paixão
E o povo blasfemador
O trocavam por um ladrão
Interrogado pelo governador
Era caluniado por Sua nação
Chicoteado como ofensor
Mudo Ele esteve
Como ovelha entregue ao matador
Lavadas foram as mãos
à causa do Mestre amado
Nenhuma falta ou erro
Não foi Nele encontrado
E entre gritos e o clamor:
“Seja Ele crucificado!”
O reputavam como um pobre pecador
E nem sabiam eles
que ali estava o Seu Senhor
O Rei dos reis, Reis dos judeus
O próprio Deus e Salvador!

Mas, Sua missão Ele seguiria
Nossa transgressão Ele a tomaria
Caminhando pelas ruas
Ninguém O defendia
Em escárnios, com espinhos O coroaram
As filhas de Jerusalém
de longe por Ele choravam
E nem sabiam elas
que por si mesmas pranteavam

Todos olhavam Aquele homem sofrido
Carregando Seu pesado madeiro
E um estranho era constrangido
A ajudar o zombado cordeiro
Para juntos levarem a maldita cruz
E até ao calvário a levou meu Jesus

No lugar da morte
Cravos em Suas mãos e pés se pregou
Neste sofrimento, na cruz hasteado
Seis horas Ele ficou
Ferido, cuspido e abandonado
Seu perdão nos foi dado
E por nós pecadores ao Pai rogou
Entre a terra e o céu levantado
Justiça e misericórdia Deus ali manifestou

Em meio às trevas o tempo fechado
Clamando em alta voz pelo Seu rebanho amado
Orava ao Pai, de Sua presença afastado,
Cristo bradava: “Está consumado!”

Tudo está pago!! Tudo está pago!!!

E o Filho solitário, despido, transpassado
da cruz se inclinou, suspirou, Sua vida entregou...

Tu és nossa Páscoa, que da morte à vida conduz,
Graças a Ti Jesus.

Obrigado meu Jesus
Pelo madeiro ensanguentado
Por Sua graciosa cruz
No Seu sangue pagar meu pecado
E me trazeres à luz
Pelo véu que foi rasgado.

Glória a Ti Senhor
Pelo instrumento de horror
Que para nós se tornou
A maior prova de amor
A um povo não merecedor
De Teu imenso e inefável favor

Obrigado meu Senhor
Obrigado Salvador meu
Agradeço-Te por Tua irresistível Graça
Por teres me comprado para ser Teu

Graças por Tua indizível dor
Por Teu Espírito consolador
Por Teu indescritível amor

Obrigado por me escolher e amar
Obrigado pelo Teu sofrer e de mim me salvar

Agradeço-Te pela vitória
No madeiro amaldiçoado
Graças te dou, pelo Teu morrer
Em meu lugar, por teres vencido o diabo,
o mundo e o pecado.

Agradeço-Te pela conquista no sepulcro vazio
Por ressuscitares e aos céus ter sido elevado

Obrigado por intercederes por mim
e estar com o Pai ao Teu lado
Por teres conquistado a morte, por tê-la
matado em Sua morte.

Deste-me vida para Te servir, Te amar
e eternamente exaltá-Lo!

Graças te dou, meu amável pastor,
pelo Espírito enviado, em meu coração habitado,
pois Tu és meu eterno Dono e eu,
eterno devedor do Teu amor elevado!!

Em breve serei, à Tua presença levado,
e pelo Teu Espírito, Oh Deus amado,
estará para sempre em meus lábios este louvor,
somente a Ti meu SENHOR, somente a Ti Cordeiro Salvador!!!



POEMA {Eu o matei}

Ele foi vendido e traído pela minha mesquinhez e ganância

Ele foi preso por causa da minha liberdade libertina

Ele foi caluniado e difamado pela minha mentira

Ele foi esbofeteado e surrado por minha transgressão

Ele foi chicoteado e ferido por minha iniquidade

Ele foi coroado de espinhos porque busquei a coroa da fama e glória para mim

Ele foi cuspido na face pelo meu orgulho

Ele sofreu muitas dores porque eu só almejava conforto e paz

Ele foi trocado por um bandido por causa de minha ira e insensatez

Ele carregou uma pesada cruz por causa do meu egoísmo

Ele foi até o calvário porque desejei seguir meus próprios caminhos

Ele foi humilhado pela minha soberba

Ele foi odiado por causa do meu amor egocêntrico

Ele foi perfurado nas mãos e pés pelos meus desejos carnais

Ele foi escarnecido e zombado pela minha maldade

Ele foi transpassado pelo meu pecado

Ele foi abandonado porque eu queria tudo e todos, menos a Ele

Ele entregou a Sua vida porque a minha eu não a queria entregar

Ele foi morto porque preferi viver minha própria vida, do meu jeito, à minha maneira

Eu o matei... não porque eu tivesse poder suficiente para fazê-lo, mas porque Ele – voluntaria e graciosamente – morreu em meu lugar. Morreu por minha causa. Morreu a morte que eu deveria sofrer.

Tudo isso Ele fez sem eu merecer; e eu ainda achando que o meu Eu merece algo Dele.

O que tenho a oferecer-Lhe por tudo o que Ele passou por mim? Delitos, afrontas, desobediência, malignidade, infidelidade, incredulidade, arrogância, altivez, hipocrisia, falsidade, malícia, lascívia, caráter diabólico, ações imundas, atitudes desagradáveis, pensamentos sujos, palavras torpes, coração endurecido, corpo inútil, alma entenebrecida e um espírito sem vida...

Isso é o que tenho, o que faço e o que sou – pecado, pecado e pecado...
Mas Ele olhou-me, se deu por mim, me amou!

Ele tomou a minha vida imprestável e me entregou a Sua vida de obediência, justiça e retidão, para que eu vivesse de verdade, e na verdade, feliz e alegremente ao Seu lado.

Ele amou-me sem medida para que eu deixasse de amar a mim mesmo e passasse a amar Aquele que é infinitamente amoroso e irresistivelmente amável.

Compreendemos o que Ele fez na cruz? Não, não entendemos o que Ele fez por quem Ele é. Muitos chamam Seu ato de amor sacrificial de loucura, e é verdade também; descobri na realidade que o que Ele fez chama-se GRAÇA.


Alexandre Dantas colabora no Jornal O Nacional, da Igreja Batista Nacional em Areia Branca - RN. Você pode ler as edições do jornal gratuitamente aqui: 

https://pt.scribd.com/collections/3897954/Jornal-O-Nacional

segunda-feira, outubro 24, 2016

Quatro poemas de Marcos Madsaiin Dias


1 BÍBLIA 02 
(Uma Versão Brasileiríssima Para O Início do Século XXI)

Nenhuma porta aberta & todos os corações fechados
A fratura exposta da dor de saber-se nada
& se sentir
valendo menos ainda.

Não diante de Deus, meu salvador!
Nos pés de quem
deponho
(Como que, num vaso, o melhor dos unguentos
os soluços.)
                        toda a vergonha pelo meu pecar.

E os lavo com as minhas lágrimas; e faço
de meus cabelos toalha. E cubro de beijos os pés
empoeirados (mas entre duas dimensões viajantes)
dAquele que fez
                               da
                                      h
                                      u
                                      m
                                      i
                                      l
                                      h
                                      a
                                      ç
                                      ã
                                      o
                                          o princípio ativo
da Glória.

Lucas 7:36-50


MULHER VESTIDA DE LOUVOR

1/
Como são lindas
as filhas do meu povo!...

 Manhã de adoração,
vestes de Domingo;
& toda a graciosidade
de quem se atavia
com retoques & mimos
noiva para o Noivo.

2/
 Como são lindas
as filhas do meu povo!...

Nos cânticos & na dança
A leveza dos movimentos
(cabeças em belos meneios!)
& a sofreguidão no olhar;

de como quem vê o in-
visível & O saúdam.
Beijam o coração do Pai:
T r a n s f i g u r a m – s e!

3/
Como são lindas
as filhas do meu povo!...

Ao timbre da voz
suave (em uníssono)
soma-se o perfeito
louvor dos pequeninos.
Senhor, é o Céu aqui?

Como são puras
as filhas do meu povo!...

Modulam achados
& canções coreografam
que a Eternidade talvez
já não mais possa prescindir

4/
Netos ao colo,
a família em torno;

o peso de tudo
(& do mundo)
sobre os ombros
de quem em Ti,
Senhor, se sustenta;

& pelo ausente
ainda intercede.

Como são fortes
as filhas do meu povo!...

5/
E como são frágeis...

O coração (às vezes
carregado de mágoa)
levam-No & o lavam
na fonte cristalina
do perdão, água rara.

Dissolve-se, então,
a tristeza do olhos,
cujas lágrimas
por enxugar Deus anela.

Como são puras!...
Como são fortes!...
Como são belas!...

6/
Vídevas
na Videira rediviva.

No afã de ver-Te
afagam o inefável.

E a Ti revelam,
ó Grande Eu Sou,
nos grandes feitos,
nas coisas mínimas,
nos pequeninos milagres.

Como são lindas!...

7/
Como são lindas
as filhas do meu povo!...

Que a pureza sempre
em meu olhar esteja
& nunca se me traia
o coração ao vê-las.

Como são puras!...
Como são fortes!...
Como são belas!...

Senhor, são Tuas!

Ex 15:20,21


POEMA

há dias iguais,
eu sei.

assim como há dores
que em nós se perpetuam,
até a condição
da pérola
que numa ostra
se forma.

mas
no Senhor
(profética
& decididamente)
cada dia
é o amanhã
do ontem:

um novo alvor&ser!!!


5/ RECEITA

pros dias maus
em que somente
nós sabemos
a extensão de um Ai
:
SALMO 46
& aquietamento:
de preferência
no colo
do Pai.


Visite o blog do autor: http://missaoimpactar.blogspot.com.br/

segunda-feira, outubro 17, 2016

Dois poemas em cordel de Euriano Sales


As bênçãos de Balaão e sua jumenta faladeira

Tem gente na igreja
Que tem medo de maldição
Tem medo de praga, macumba
Olho gordo e amarração
Se cruzar por um gato preto
Corre atrás de oração

Tem gente na igreja
Que diz ter fé em Jesus
Que se benze, bebe água ungida
Recebe oração do pai da luz
Faz a famosa mandinga gospel
Apela inté pro sinal da cruz

Tem gente na igreja
Que tem caixinha de promessa
Ler um versículo por dia
Que é pra benção sair depressa
E lá só tem versículo bom
Pois ruim não interessa

Como é que gente assim
Ainda diz ser cristão
Se Jesus morreu na cruz
Quebrando toda a maldição
Crer em Cristo já basta
Essa é a única condição

Certo dia o povo de Israel
Se aproximava dos moabitas
Quando Balaque, rei de Moabe
Deixou a cidade toda aflita
Pois tava se pelando de medo
Daquele povo israelita

Enviou seus mensageiros
Até a casa de Balaão
Um homem muito respeitado
De grande reputação
O que ele falava dava certo
Seja benção ou maldição

Pediram a Balaão
Para vir até Moabe
E soltasse uma maldição
Que em Israel desabe
Que não sobre um vivo
Que o povo todo se acabe

Balaão pediu licença
E foi falar com o Senhor
Mas Deus não permitiu
Amaldiçoar quem Ele abençoou
Balãao despachou o povo
E o pé dali não arredou

Balaque não se conteve
Mandou um povo importante
Pra convencer Balaão de ir
Com eles mais adiante
E amaldiçoar Israel
Aquele povo retirante

Balaão falou com Deus
E o Senhor deixou ele ir
Mas só faria alguma coisa
Que Deus viesse a permitir
Balaão pegou sua jumenta
E a selou para partir

Mas no meio do caminho
Deus resolveu impedir
Enviou um anjo à estrada
Com o intuito de proibir
E fazer com que Balaão
Desistisse de ir

Mas balaão nem viu o anjo
E continuou sua viajem
Mas a Jumenta dele viu
E sem um pingo de coragem
Saiu foi fora da estrada
Procurando outra passagem

Balaão disse a jumenta
Pra voltar pro seu caminho
A jumentinha obedeceu
E foi andando devagarinho
Dá se fé o anjo aparece
Pra jumenta bem de pertinho

A jumenta se espreme toda
E machuca o pé de Balaão
A dor deve ter sido grande
Pois a sua primeira reação
Foi plantar a peia na jumenta
Pra ela prestar atenção

O anjo aparece de novo
Num espaço bem estreito
E bloqueia todo o caminho
Pra ninguém passar direito
A jumenta se joga no chão
Como forma de respeito

Balaão já tava invocado
Com as atitudes da jumenta
Com um vara sentou-lhe a mão
Foi vinte, trinta, quarenta
Cinquenta lapada no espinhaço
Ai a jumenta não agüenta

A jumenta já tava roxa
De tanto apanhar
E como não dizia nada
Pois só sabia relinchar
Deus fez com que a jumenta
Desembestasse a falar

“Balaão pelo amor de Deus
Pra quê essa violência
Você já me bateu três vez
Não tem um pingo de paciência
O que foi que eu fiz de errado?
Foi alguma desobediência?"

Ai Balaão se invocou
Pois a jumenta tava falando
E pronunciava direitinho
Podia mandar pro soletrando
E o pior que não era uma simples fala
Ela tava era se reclamando

Balaão disse: Ôxiiii…
Se tá de brincadeira?
Se eu tivesse uma espada,
Uma faca ou inté uma peixeira
Tinha lhe matado agora
Pra você parar de besteira

A jumenta disse pra ele:
O senhor acha que eu tô brincando?
Eu sou de sua confiança
Há vários anos venho lhe carregando
Eu por acaso já aprontei uma
Pro senhor vir recriminando?

 Ai Deus na mesma hora
Fez com que Balaão
Enxergasse o anjo
E entendesse a situação
Deus o recriminou
Pela sua má ação

Mas depois de arrependido
Deus disse pra ele continuar
E quando chegasse em Moabe
Esperasse Ele ordenar
Pois Balaão só falaria
Aquilo que Deus mandar

Depois de oferecer sacrifício
Balaão esperou Deus falar
Ouviu tudo atentamente
E foi ao povo pronunciar
Mas ao invés de maldição
Deus mandou foi abençoar

"Como é que eu poderia
Abrir a boca e amaldiçoar
Um povo cujo o Eterno
Nunca quis condenar
Eles terão a morte dos justos
Ninguém pode os acusar"

Balaque não acreditou
No que ouviu de Balaão
Como é que eu lhe trago aqui
Lhe dou comida e acomodação
E você vem falar de benção
Ao invés de maldição?

Venha comigo, venha
Vamos pra outro lugar
Mas por favor Balaão
Quando chegarmos lá
Converse com esse seu Deus
E me faça o favor de amaldiçoar

Balaão falou com Deus
E a história se repetiu
Ao invés de maldição
O que o povo mais ouviu
Foi Balaão falar da Bençãos
Que Deus por ele transmitiu

Balaque ficou injuriado
Não estava acreditando
Mas mesmo assim insistiu
Pois não tava funcionando
Levou Balaão pra outro lugar
E uma maldição ficou esperando

Balaão Já sabia
O que Deus tava querendo
Por isso nem perdeu tempo
Pelo contrário, foi logo dizendo
Abençoou o povo de Israel
Falou enquanto tava pudendo

Balaque o interrompeu
Mandou ele se calar
E arrumar as trouxas
E de Moabe se mandar
Pois não fez o trabalho direito
Que era apenas amaldiçoar

Balaão antes de ir embora
E voltar pra sua cidade
Falou o que Balaque não queria
Lhe disse um monte de verdade
Profetizou só coisa ruim
Falou com gosto e vontade

E lendo uma história dessa
Como eu posso acreditar
Que praga e maldição
Pode o Cristão alcançar
Não tenha medo disso não
Não precisa se preocupar



O evangelho de Cristo X O evangelho de Hoje

Antes de falar do texto
Quero aqui me desculpar
Pois posso falar de coisas
Que muitos não vão concordar
Mas é o que tá no meu coração
E a este não posso enganar 

Me chamo Euriano
Autor do Cordel Cristão
Falar de Cristo é complicado
Muitos não entenderão
Pelo menos é o que dizem
Os doutores da religião

Mas quem foi que complicou
Foi Cristo, ou foi a igreja?
É tão difícil entender
O que ele quer que a gente seja?
Ou será que estamos moldados
Como as formas de uma bandeja?

O evangelho de Cristo
Fala direto ao coração
Quem tem ouvido pra ouvir ouça
Cada uma de sua lição
Suas palavras eram claras
E anunciava a salvação

O evangelho de hoje
Fala por meio de sinais
Precisamos de intérpretes
Pra entender o "q" a mais
Só a bíblia não adianta
Precisamos de algo mais

O evangelho de Cristo
Me prepara pra dificuldade
Não me abstém disso
A dor é dura realidade
O próprio Cristo sofreu
Por amor a humanidade

O evangelho de hoje
Não aceita tal condição
Se eu tenho Cristo, tenho tudo
Não passo por aflição
Ordene a cura, repreenda
Tome posse em suas mãos

O evangelho de Cristo
Me ensina a diminuir
O menor será o maior
Bem vindo os pequeninos aqui
Quem pesca peixe, pescará almas
Basta querer me seguir

O evangelho de hoje
Me mostrou os holofotes
Quanto maior eu for
Maior domínio terei sobre os fantoches
Farei da Fé um grande Show
Com direito a passaporte

O evangelho de Cristo
Me falou de um tal João
Que comia gafanhotos
E anunciava a salvação
Homem simples e humilde
Sem títulos e formação

O evangelho de hoje
Me apresenta uma profissão
Serei Doutor Pastor Fulano
E poderosa é minha oração
Tenho mestrado, doutorado
E também uma grande unção

O evangelho de Cristo
Me ensinou a perdoar
A olhar pro meu próximo
E antes de querer julgar
Vê que sou pior que ele
Mas Cristo veio pra nos amar

O evangelho de hoje
Me ensinou apontar o Dedo
E dizer só no olhar
Quem é quem nesse enredo
Esse aqui é uma benção
E aquele ali eu tenho é medo

O evangelho de Cristo
Me ensinou a dependência
Simplesmente viver o hoje
Que Deus dará a providência
Basta exercitar a minha Fé
Isso é loucura pra ciência

O evangelho de hoje
Me ensinou diferente
É verdade, tenho que ter fé
Fazer novena, corrente
Vou garantir o de manhã
Fazer do jeitinho da gente

O evangelho de Cristo
Não meu prometeu riqueza
Pelo contrário, eu aprendi
Que ser rico não é uma proeza
Não ajuntais tesouro na terra
Pois as traças correm e não tem firmeza

O evangelho de hoje
Me mostrou a prosperidade
Dê dinheiro a Deus
Que viverás em felicidade
Pois sou filho do Rei
Posso ter tudo a vontade

O evangelho de Cristo
Me ensinou a seguir em frente
Por mais que o cálice seja duro
Há um propósito de Deus pra gente
Até a folha que cai da árvore
Mostra o Deus que está presente

O evangelho de hoje
Me ensinou a duvidar
A consultar antes de ir
O que o ungido falará?
Não vá, você vai morrer!
Se eu for, Deus não vai estar?

O evangelho de Cristo
Era vida relacional
Era o pão partido em casa
Na varanda, no quintal
Pregado fora dos templos
Vida pentecostal

O evangelho de hoje
É vivido em uma única via
Uns sabem tudo, outros nada
Vá pra culto, mostre alegria
O pecado é entre você e Deus
Fale com os anjos e sorria

O evangelho de Cristo
Renova minha esperança
Me faz voltar ao princípio
Inocente como uma criança
Me faz aprender de Jesus
Seus ensinos é minha herança

O evangelho de hoje
Tenho esperança que um dia
Viva a simplicidade
Da vida que Cristo vivia
Que seja sal e luz pro mundo
Que seja uma nova poesia

Acesse o blog do autor: http://cordelcristao.blogspot.com.br/

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