terça-feira, setembro 01, 2015

Dois poemas de Josué Ebenézer


PALAVRAS
Palavras, que são palavras,
esta forma de expressão?
Extraídas das próprias lavras
de quem faz comunicação.
Palavras de todas as formas
tamanhos vários e sons;
palavras transgridem normas
mesmo nos corações bons.
Palavras soltas ao vento
desprendidas do papel;
palavras libertas da frase
em busca do próprio céu.
São palavras tão rebeldes
inquietas em seu ser;
carregadas de seus signos
fecundadas de saber.
Palavras simples, difíceis,
prenhes de significação;
palavras rebeldes, dóceis
seres vivos em sujeição.
Palavras sedimentadas
carvalhos na Terra-Idioma;
palavras adolescentes
rés do próprio genoma.
As palavras nos possuem
quando vem inspiração;
os seus signos influem
na mais forte emoção.
Palavras, pássaros velozes
planando suavemente;
palavras encorpam vozes
sentidos de cada mente.
Há palavras assustadoras
rudes como xingamento;
há as pacificadoras
suaves brisas ao vento.
Há palavras qual espadas
que penetram fundo o ser;
há aquelas recalcadas
que só querem aparecer.
Palavras, mais que palavras,
são setas do coração;
quando disparam sem travas
podem causar comoção.
Se vêm de coração puro,
palavras são bênção e paz;
mas vindas do obscuro
intuito cruel subjaz.
Quero as palavras mais lindas,
quero aquelas mais belas.
Palavras com ramas infindas:
flores, canteiro, aquarelas.
Palavras que atapetam vias
onde transita o amor;
palavras que encorajam vidas
com mensagem e dulçor.

POIESIS
A vida alimenta a poesia
e a poesia alimenta a vida.
O poema é a refeição dos
corações inquietos de significação.
A poesia revela o escondido
e esconde o revelado.
Pra alcançar a revelação
é preciso sensibilidade.
Pra ter acesso ao escondido
é preciso possuir a chave.
Só acessa a poesia
quem está com o sonho em dia.
Pra alimentar, o poema precisa se nutrir.
O poema se nutre do silêncio
e, também, das falas do cotidiano;
o poema se nutre da dor
e também da inquietação;
mas, acima de tudo, do amor
e da paz do coração...

quinta-feira, agosto 27, 2015

Três poemas de Ronilso Pacheco


O BAQUE, OS FUZIS E OS SONHOS

Rumos de um mundo perdido
De onde nossos sonhos acuados, se vão
Soprados pelo vento, violento, com sua força descomunal
Empurrando para o longínquo, nossas esperanças

E o nosso moderno mundo caminha nas trevas
Desesperado, atordoado, desnorteado, cheio de riscos
Em busca de alguma luz, qualquer luz, que faça-nos iluminar
Enquanto olhamos distraídos para o nada

Haja luz! Haja luz!
Sem guerra, sem pressa, sem ansiedade de não morrer
Sem ira, sem fúria, sem dor ou temor
Sem qualquer fuga que nos impeça de viver
E é preciso viver, para experimentar a vida com Deus
E é preciso Deus, para experimentar a vida

Haja luz! Haja luz!
Sem erro, sem peso, sem frustrações por não voar
Sem fardo, sem culpa, sem indiferença ou descrença
Sem a covardia que adia, a capacidade de sonhar
E é preciso sonhar, para alcançar Deus
E é preciso Deus, para alcançar os sonhos

O nosso desespero nos afronta
Enquanto nós seguimos, seguindo, adiante, esta tensa estrada
Que diga-se de passagem, não nos une, antes, muito mais afasta
Nos distanciando da possibilidade de sermos irmãos e irmãs
E de termos uma só caminhada rumo à eternidade

E zomba-se da eternidade como se ela fosse eternamente inalcançável
Como se o finito das quatro paredes do mundo
Fosse de fato a nossa morada em castelo ou masmorra
De onde nem mesmo a mais astuta alegria poderia escapar

Olhemos para o alto! Vejamos o ar!
Com força, com zelo, com disposição para caminhar
Com fé, com certeza, com humildade e convicção
Com a ousadia que cria, a capacidade de se libertar
Porque é preciso a liberdade, para se expressar Deus
E é preciso Deus, para experimentar a liberdade



A POESIA E A PEDRA


A pedra mói o tempo,
o tempo esmaga a rocha
não obstante, se a rocha é sonho,
o sonho não desmancha
o sonho dilui, e se mantém

A marreta violenta a ideia
a ideia perfura a terra,
no entanto, se a terra é riso,
o riso não se fere,
o riso interdita, e retorna

A espada retalha o vento,
o vento despedaça a ponte,
mas, se a ponte é discernimento,
o discernimento não despedaça,
o discernimento rompe, e ergue

A areia encobre o vazio,
o vazio usurpa o abrigo,
no entretanto, se o abrigo é palavra,
a palavra nunca é usurpada
a palavra subverte, e vence

O murro derruba o silêncio,
o silêncio enterra o rio,
mas talvez o rio seja poesia,
a poesia não é enterrada,
a poesia se mantém, e retorna, e ergue, e vence



CONTRATERRORISMO GLOBAL

Nosso perigo iminente
jamais se afastara de nosso instante,
de todo lugar, de maneira inclemente,
a surpresa é um espanto que nos tange.

Invisível, o inimigo confunde nossa mente,
e desconfiar que ele é o outro, nos constrange.
Percorremos o pavor que corta o Ocidente,
capitulamos ao terror, que corta o nosso sangue.

O inimigo, não fala a nossa língua.
Será que ele tem a nossa cor?

Liberdade e democracia, ainda são temas prementes,
mas é a supressão disso que hoje nos confrange,
pois lá fora, a tensão abafa gritos estridentes
que irrompem de nosso interior em transe.

Acho que o inimigo tem o rosto de todas as gentes,
e é isso que nossos defensores não abrangem,
pois o terror – e o que o evita – tem a solidariedade ausente,
e este peso vem sobre nós, acachapante.

O inimigo, não fala a nossa língua.
Será que ele tem a nossa cor?

Quantas guantânamos abrigarão nossa gente,
enquanto caos e medo nos deixam estanques?
E quanta hostilidade em nosso temor subserviente,
enquanto nossas estimativas continuam frustrantes.

Acontece que não há inimigo evidente.
Então, quem será que, no escuro, os dentes range?
Nossas perguntas [e dúvidas] são estilhaços percucientes,
que cortam, ferem, o mais absorto infante.

Ao inimigo invisível, armas insuficientes,
ao inimigo visível, o fardo insurgente,
ao medo público, a desconfiança envolvente,
ao medo privado, a desconfiança, sempre.

Neste corolário está ter medo, ser hostil, e ser prudente,
mas prometem: a derrocada do inimigo vem galopante,
se ao autoritarismo, formos condescendentes,
antes que este inimigo cresça, e torne-se pujante.

Mas inimigo, não fala a nossa língua.
Será que ele tem a nossa cor?


As ideias de Ronilso você encontra no blog http://ronilso.blogspot.com.br/

sábado, agosto 22, 2015

Revista Refrigério - Edição especial Dia Mundial da Poesia


A Revista Refrigério é uma publicação gratuita da Comunhão de Igrejas dos Irmãos em Portugal. A revista já está na 158º edição. Em março, a título do Dia Mundial da Poesia, a revista publicou uma pequena edição especial, dedicada ao tema. A edição é agradavelmente ilustrada, e conta com textos dos poetas António Augusto de Almeida e Manuela Campos.

Você pode fazer o download da revista (em formato pdf) CLICANDO AQUI.

segunda-feira, agosto 17, 2015

SER PASTOR, poema de Assis Cabral


SER PASTOR

Ser pastor é sentir o sofrimento alheio.
É levar, com paciência, as cargas do rebanho.
É ter desprendimento e amor em grau tamanho.
É ter o coração de paz repleto e cheio.

É achar-se pronto a ir, sem dúvida ou receio,
Onde Deus o chamar, sem refletir no ganho,
No prestígio social... Pois, nos tempos de antanho,
Os servos do Senhor iam pra qualquer meio.

Ser pastor é pregar a nova doce e pura,
Todo o conselho, enfim, da Sagrada Escritura.
É apresentar Jesus que salva o pecador.

Se você não quiser, num esforço sem pausa,
Viver, lutar, sofrer em prol da Santa Causa
Um conselho lhe dou: não queira ser pastor.


Do livro Canteiros de Bálsamo (1975)

quarta-feira, agosto 12, 2015

CÂNTICO À IGREJA REFORMADA, poema de Jorge Buarque Lira


CÂNTICO À IGREJA REFORMADA

(Lendo Guerra Junqueiro no seu poema “Aos Simples”, de “A Velhice do Padre Eterno...”)

Seguidores de Cristo – almas santificadas,
“que calcais, sob os pés, do pecado os dragões”,
Vós que inda conservais as palavras sagradas
Do Mestre, que de amor são sempre perfumadas,
Trescalando perfume em vossos corações;
Almas feitas de luz e para a luz surgidas,
Da luz que vem de Deus, ó, almas redimidas,
Que sois, aqui, na terra, a Igreja do Senhor,
A verdadeira Igreja, a pura, imaculada
“Esposa do Cordeiro” – o mais sublime amor;
Almas em que refulge a lâmpada sagrada,
A candidez da fé e o puro amor cristão,
Como na primavera as flores vicejantes,
Como na noite escura os astros n’amplidão;
Almas cheias de vida e luzes coruscantes,
Relicários de fé, de coragem e altruísmo,
De humildade, perdão e vera penitência,
Que refletis a luz do puro Cristianismo,
Que rebrilhais ao sol formoso da consciência;
Almas que resistis, com fé, às tentações
Do mundo enganador, iníquo e condenado,
Erguendo para os céus as santas orações,
Vencendo, em toda a linha, o dragão do pecado; -
Recebei, de bom grado o meu humilde canto,
Em que traduz minh’alma a eterna sinfonia
De vosso amor sincero, e forte, e puro, e santo,
Como a glória do sol em pleno meio-dia!
Sois nume tutelar da divinal vontade
Que sempre procurais fazer em boa mente;
E tudo quanto em vós existe de verdade –
- desde a menor virtude até à santidade –
Vem de Deus e vos leva a Deus eternamente!

Recebei este canto, ó! Igreja Reformada,
Que vai com minha prece a Deus, Nosso Senhor,
Para pedir que seja a vossa fé sagrada
Uma lâmpada sempre acesa, iluminada –
Que ilumine o caminho a todo pecador!
De tempos que vão longe, a vossa linda infância,
Infância que nos trouxe a herança divinal,
A nós nos veio a vossa esplêndida fragrância,
Como na primavera tudo em abundância,
Como na natureza uma aurora boreal!
Bendita sejais vós, ó, santa Igreja amada,
Cumpri vossa missão sublime e alcandorada
Que Deus vos outorgou, e aos vossos tanto ufana,
Pedindo a Deus que mande o auxílio divinal,
Que possa combater, sem tréguas, todo o mal –
E muito mais ainda – a podridão mundana!
Orai por todos nós, orai, ó, almas santas,
Pois vossas orações são de virtudes tantas,
Que Deus vos ouvirá, e muito há de fazer
Em prol da humanidade enferma e sofredora,
Que é toda a humanidade abjeta e pecadora,
Que vive a preferir do pecado o prazer!
O vosso amor sincero, e forte e puro e santo –
Em prol da raça humana e a Deus o consagrai,
Pedindo-lhe nos dê o seu divino manto,
E enxugue de noss’alma o grande e amargo pranto,
E a salvação nos dê, com seu amor de Pai!


Do livro Quando a Musa Canta!... (São Paulo: Casa Lyra Editora, 1947)

sábado, agosto 08, 2015

Dois poemas de Karla Waters

Leonid Afremov

pedinchona
Senhor, me faça transparente
pra qualquer má mente 
que queira meu fim

que o inimigo não me note
Senhor, que Tuas mãos estejam prontas
para me livrarem do bote

faça por mim o que não posso fazer
quando dependo de mim
meu fim é perecer

que os meus pés 
deixem Tuas pegadas
que minha alma 
pelo Teu sangue seja lavada

me camufle com amor
quero que vejam em mim
o Teu favor

faça com que eu faça
Tudo o que Tu farias
que fazer Tua vontade 
seja minha maior alegria

me deixe perceber Teu ouvir
saber que quando choro
logo estás Tu a vir

quero saber Tua presença
que minha alma à Tua pertença
e então serei feliz

não me deixe ser má 
não deixe a maldade se ser em mim 
quero ser casa exclusiva Tua
que a maldade se abrigue na rua 
bem longe de daqui

me deixa ver Tua poesia
mostre-se soberano 
mate minha ironia

que Tu estejas em cada letra
que por aventura eu escrever 
correr em Tuas palavras 
saltar em Teus relevos

pra mim Tu és aventura
o viver mais radical
amar o próximo é tão difícil 
que muitos preferem fazer o mal

talvez eu fale pouco
e escreva demais 
é que em mim 
a letra desenhada é o que traz paz

me encontrei em teu livro
ó, como amo Teu livro
nele tu mostras 
como Teu mundo é lindo

creio que o decote em minh'alma 
seja propósito Teu 
talvez alguém tenha que ler 
o que em mim o Senhor escreveu

e assim termino minha oração
pedindo utilidade pra esse ser 
pedindo facilidade para Te pertencer

que a palavra escrita seja clamada
que o clamor possa se escrever
que ao Teu coração
meus versos possam pertencer.


justiça pelo sangue
eles se deram para o cumprimento
com sangue marcaram
a terra e o firmamento
disseram sim ao céu
trocaram a vida por fel
mas foram para o paraíso
clamar por justiça e juízo
aqueles que usaram os punhais
e puxaram os gatilhos
vão implorar por misericórdia
ao reconhecerem que de Deus
mataram os filhos
o sangue dos
que perderam aqui a vida
por amor do que no céu habita
há de clamar estrondosamente por justiça
até o dia em que Deus a fizer
aqueles que tiveram como premissa a fé
e que se deram por acreditar em Cristo
regozijarão em suas almas
pois seus olhos O terão visto.

Visite o blog da autora: http://www.poesiadoalto.blogspot.com.br/


sábado, agosto 01, 2015

Lançamento: AMPLITUDE, Revista Cristã de Literatura e Artes




AMPLITUDE é uma revista de cultura evangélica, com foco principal em ficção e poesia. Mas nosso leitmotiv, nosso motivo de ser e de existir, é a arte cristã em geral: Transitamos por música, cinema, fotografia, artes plásticas e quadrinhos. Publicamos artigos, estudos literários, crônicas e resenhas.
      Nossa intenção diz respeito àquela despretensiosa excelência dos humildes. Nosso porto de partida e porto de chegada é Cristo. Nosso objetivo é fomentar a reflexão e a expressão, AMPLIAR visões, entreter com valores cristãos, comunicar a verdade e o belo e estimular o engajamento artístico/intelectual entre nossos irmãos.
Nosso preço é nenhum: a revista circula gratuitamente, no democrático formato pdf.
      AMPLITUDE, revista cristã de literatura e artes, nasce como um espaço inter ou não-denominacional aberto à criação daqueles que por tanto tempo foram silenciados pela visão oblíqua e deturpada do velho status quo que via nas expressões artísticas algo menor, indigno ou mesmo inútil ao cristão ou à igreja.  Um fórum para os que tem-se visto alienados de veículos de expressão, de formas de publicar/expor/comunicar, de interagir entre pares, e para além dos pares.
      Esta revista nasce com dois anos de atraso, desde a gestação da ideia de uma revista dedicada fundamentalmente à nossa literatura, em conversações com o poeta e escritor lusitano J.T.Parreira. Porém, projetos outros impediram naquele momento a concretização da ideia.
      Como a focalização de nossas lentes recai fundamentalmente sobre a ficção e a poesia, esta edição inaugural chega com força total: são oito contos. Na poesia, contamos com nomes consagrados como o próprio J.T.Parreira, Israel Belo de Azevedo, Joanyr de Oliveira, Gióia Júnior e outros, aliados a novos nomes de excelente produção.
      O anglicano George Herbert, uma das figuras centrais dos assim chamados poetas metafísicos ingleses, inaugura a seção Jardim dos Clássicos. 
  Marcelo Bittencourt apresenta sua história em quadrinhos Pobre Maria, encantando com seu texto e sua arte.
    Na seção de entrevistas, iniciamos com Veronica Brendler, idealizadora do Festival Nacional de Cinema Cristão.
      As artes plásticas são contempladas na seção Galeria, que abre suas portas com a obra de Rafaela Senfft, que também comparece com o artigo A arte moderna e a cosmovisão cristã.
      E vamos aos contos: O saudoso Joanyr de Oliveira, verdadeiro patrono da (boa) literatura evangélica, faz-se presente com o conto A Catequese ou Feliz 1953, onde o autor revisita os porões da ditadura brasileira, inspirado em eventos autobiográficos. J.T.Parreira comparece relatando sobre as crises ontológicas de Pedro, em Os Pronomes; e ainda o fino humor de Judson Canto em Uma mensagem imprópria; um singelo conto de Rosa Jurandir Braz, Você aceita esta Flor?; Célia Costa com o brevíssimo O que poderia ter sido, sobre o que poderia ter sido naquele Jardim de possibilidades; Margarete Solange Moraes com o pungente Filhos da Pobreza; este humilde escriba comparece com um conto de ficção científica, Degelo, ambientado em futuro(s) distópico(s); e Hêzaro Viana, fechando a edição com um forte e terno conto, Por Amor, em 12 páginas de ótima prosa.
      Confira ainda as seções: Notas Culturais, com pequenos flashes sobre o que rola na cena cultural cristã (e fora dela); Hot Spots, abarcando a cada edição citações da obra de um grande autor; Parlatorium, com citações diversas de autores de ontem e de hoje; e Resenhas, abarcando livros, música, cinema et al.

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quarta-feira, julho 29, 2015

Três poemas de Heloísa Helena Zachello

Beaudier

Metamorfoses

 Salmo 40 :15 ao 17
2a. carta de Pedro:2–9

No mundo das massas, eu era um número;
No mundo dos números, uma conta zerada;
No mundo dos zeros, estava à esquerda,
E por esse motivo, eu fui descartada...

E já descartada, eu fui para o lixo;
E dentro do lixo, vivi feito bicho...
No mundo dos bichos, vi mansos e feras;
No mundo dos mansos, eu era ovelha;
No mundo das feras, um homem eu era.

No mundo dos homens, vi os bons e os covardes.
Passei a viver tão vago destino.
No mundo dos bons, só fiz Amizades,
Mas no dos cavardes, fiz meu desatino...

E do que me restou, eu penso agora
Nesta madrugada, já quase aurora:
“Preciso gravar estes versos meus:
Aos olhos dos mundos, não passo de nada,
Mas sou bem-amada aos olhos de DEUS!” 


De quem é a culpa?

( Um abismo chama outro abismo.....  Salmo 42:7)

Era uma vez um menino
a quem nunca faltou nada:
casa, cama, muito mimo,
comida e roupa lavada.
            Saía pra onde queria,
            sem prestar explicação.
            Pudera! Ninguém pedia!
            Não lhe deram educação...
Faltou-lhe ensinamento
do que é básico ao ser humano:
conhecer seu Criador,
Pai de Amor e Soberano.
            E assim ele cresceu,
            como simples animal
            que demarca território
            de forma irracional.
Seu mau gênio era tanto...
Não gostava de vizinho!
Pra família era um santo,
para o resto, um diabinho.
            Os pais sempre o defendiam,
            dando-lhe total proteção.
            E com isso, encobriam
            os erros do fanfarrão.
Se dele se dissesse um “ai”,
perto da mãe ou do pai,
a coisa ficava feia,
ameaçavam cadeia!
            Judiava dos pequenos;
            destilada palavrão;
            não respeitava ao menos
            mulher, homem, ancião...
Suas roupas eram de marca,
seu símbolo, o bady boy;
tênis, só os importados.
Vivia vida de herói.
            Em matéria de escola,
            ia de mal a pior;
            passava às custas de cola,
            e se sentia o maior!
Rebentava as carteiras,
acabava com os giz;
botava a classe inteira
a perder, o infeliz!
  
 Professor, à vista dele,
era um simples cacareco;
Um João Bobo, um Zé Ninguém;
Um palhaço, um boneco.
            Expulsaram-no, certo dia,
            por causa de tudo isso.
            Mas o pai veio a saber,
            e armou um rebuliço!
Apareceu na escola,
xingando só palavrão,
inocentando o filho
de qualquer acusação.
            Pôs culpa nos coleguinhas,
            e taxou o professor
            de incompetente, culpado,
            radical e acusador.
Levou embora o moleque,
que saiu todo emplumado,
sentindo-se poderoso,
pois pelo pai foi poupado.
           Quando aos dezoito anos,
            já sendo um meliante,
           foi pego pela polícia
           num horroroso flagrante.
Contratou-se advogado;
gastou-se muito, à toa,
pois nada deu resultado...
a justiça não perdoa...
            Por não ter sido criado
            como pessoa de fato,
            o moço ficou enjaulado
            igual a um bicho do mato...
Até hoje, o tal menino
que barbado bem ficou,
atribui seu desatino
a quem sempre o estragou...
            O pai nunca admitiu
            que havia sido um fiasco.
            Que acobertando o filho,
             não foi pai, e sim carrasco!
Já a mãe, por sua vez,
não quis assumir sozinha
a culpa, que era dos três,
e esquivou-se depressinha!
            Desde que o homem pecou,
            já vale bem o ditado:
            “quando a coisa é mal feita,
            ninguém quer ser o culpado.”


Bença mãe, bença pai!

    ( Salmo 53 )                

  Bons tempos, aqueles idos
  Em que até filho criado
  Não saía de sua casa
aÇodado, sem ter pedido
  A bênção dos pais queridos.

  Mas, não há mais Fé nos pais...
  Afrouxaram a consciência
  E multiplicaram seus ais...
  !
  Burlaram as LEIS DA VIDA;
  Exaltaram a ciência;
  Não cuidaram do indivíduo;
aÇaimaram sua Crença;
  A família está caída...

  Pulsa de longe a Esperança,
  A única que ainda resta
  Incólume desta matança.
  !
  Darwin mudou o esquema,
  Espalhando heresia.
  Ultrajou a Lei Suprema;
  Semeou sua teoria.

  Trouxe o materialismo,
  Endossando o ateísmo.

  A Escola aderiu;
  Baixou guarda pros ateus;
  E o mundo se dividiu, entre o
  Naturalista e DEUS.
aÇoitaram a Criação;
  Ousaram zombar da Fé;
  E deu no que hoje se vê...

  Fizeram do humano tão pouco...
  Insultaram sua História.
  Levaram a Vida à esmo...
  Hoje, O CRIADOR É O MESMO!
  O macaco, porém, morreu louco...

Visite o blog da autora: http://heloraiz.blogspot.com.br/



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